domingo, 20 de junho de 2010

Andava em círculos acompanhando os ponteiros do relógio, tremulo e pálido como neblina. "Estamos aqui, estamos em todas as partes", dizia a voz em seu ouvido. Tentou correr, mas como se tivesse sido atingido por um pêndulo foi de cara ao chão. O nariz pingava sangue e sua visão agora turva não acompanhava mais os movimentos dos braços que tentavam reerguer o corpo. "Eu avisei, eu avisei", insistia a voz. Tentava rastejar até a parede quando foi tomado por uma série de espasmos que o ricocheteavam contra o piso engordurado de sangue e suor. Impotente perante a situação, percebeu que de nada adiantaria seu esforço e seu corpo parecia pesar toneladas. Eles estavam no controle e aquilo tudo era mais uma casa do maldito jogo que parece não ter fim.
A voz ria incansavelmente. Naquele momento ele só podia desejar ser surdo.

2 comentários:

  1. Muito bem escrito e agonizante, guri!
    Parabéns e obrigada pelo comentário (:

    ResponderExcluir