domingo, 22 de agosto de 2010

Os olhos castanhos, escuros feito fuligem se destacavam no rosto pálido, pela falta de sol. A escada daquela igreja imunda era parcialmente iluminada pelas luzes da praça e a pouca luz que chegava até nós, me permitia ver que por trás daquela expressão simples, daquele sorriso amarelo, existia um desespero cravado em seu peito. No modo como alisava o cabelo, no jeito em que comia a pele do canto dos dedos, até quando me abraçava ele estava lá, e começava a sufocar a mim também.
Ela falava muito, mas nada que fizesse meus ouvidos cansarem de ouvir, a unica coisa que me irritava naquele momento era meu silêncio, quase como o de um cadaver que aguarda pacientemente o sepultamento. E talvez seja essa a unica coisa que espero da vida mesmo.
Ela desviou o olhar para a lua, ia falar mais alguma coisa, mas interrompi com os dedos em seus labios.
- Sabe de uma coisa? - perguntei.
- hm? - seu olhar sério e ao mesmo tempo doce, como o de uma criança vinha quente, em direção ao meu.
- Acabei de encontrar o que eu procurava.
- Ah, e o que era? - perguntou ela, sorrindo.
- Olhos castanhos, distantes, que fizessem companhia aos meus.

4 comentários:

  1. Belo post, belo diálogo... Gosto de diálogos. Seguindo-te, boa semana pra vc. Beeejo,beeejo.

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  2. tão lindo! daí vou repetir um comentário teu...
    mágico!

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